17 dezembro 2009

Triades maiores - Localização no braço da guitarra

Como já mencionado em lições anteriores, a principio não é necessária a memorização dos acordes, uma vez que é possível aprender a construi-los a partir de algumas regras básicas, regras estas que também já analisamos. Vimos, por exemplo, que os acordes são formados fundamentalmente pelo I, III e V graus das escalas (com as devidas variações para formar acordes maiores, menores, diminutos, etc).


Do ponto de vista prático é, portanto, interessante montar-se um mapa do braço da guitarra que permita mostrar a localização relativa de cada uma das notas básicas que compõem cada tom. Pode-se iniciar com as relações entre a tônica e o III grau. Observe:



Estas posições relativas são as mesmas em todo o braço do instrumento. Um bom exercício é escolher qualquer região no braço da guitarra e tocar a seqüência de tônicas e terças.

Deve-se em seguida aprender as relações entre o V grau e a tônica. Vamos lá:

Da mesma forma que com as terças, as relações entre a tônica e as quintas (V grau) são as mesmas ao longo de todo o braço da guitarra. Exercite-se tocando o mapa completo de tônicas e quintas a partir de qualquer região do braço do instrumento. Use as diferentes notas (C, D, E, etc) como tônicas.

Muito bem. Agora falta botar as tônicas, o III grau e o V grau juntos, em um mesmo mapa. O resultado é este:

Parece familiar, não. Com certeza deve ser capaz de reconhecer neste esquema os padrões de cinco acordes básicos: C, D, E, G e A (indicados pelas letras fora do braço). Atenção, o esquema não está representando o acorde em sí, mas o padrão representado por ele. O padrão G, por exemplo, está sendo representado com a tônica no 4o traste, e o A no 1o. O importante é lembrar que este mapa é móvel, ou seja, escolhendo qualquer nota como tônica você deve ser capaz de localizar todas as demais notas seguindo o mesmo padrão básico e, portanto, o acorde em questão.

Existe pelo menos 1 exercício básico que deve ajuda-lo a memorizar este padrão básico, qual seja, o de identificar em cada acorde que você tocar (pode começar pelos vistos na lição anterior) onde estão a tônica, a terça (III grau) e a quinta (V grau). Desta forma terminará memorizando todo o mapa e, dai por diante será capaz de construir sozinho seus próprios acordes, que irão se tornando mais complexos a medida que você for acrescentando outras notas (ou graus), como a sétima, por exemplo.

16 dezembro 2009

Afinar a guitarra



Antes de começar a tocar sua guitarra, seu violão, seu contrabaixo (ou qualquer outro), seu instrumento precisa estar afinado corretamente.O tom de uma corda é determinado pelo comprimento, espessura e grau de tensão. As cordas soltas são ajustadas virando a cravelha das tarrachas até entrar em afinação individual e com as outras cordas. Você pode afinar todas as cordas com um afinador eletrônico, um teclado,um diapasão ou por ouvido (no caso das pessoas que consigam lembrar com precisão as notas, isso se chama ouvido absoluto). Também pode se afinar uma corda e usá-la como referência para as outras. Inicialmente pode-se dizer que a melhor e mais moderna maneira de afinar um violão é tendo em casa um afinador eletrônico. Ele é muito prático, ideal para as pessoas que não sabem ainda afinar um violão do modo correto e é usado para quem não quer se aborrecer.
Existe também um método mais antigo ainda, mas pouco usado que é o diapasão, mas recomendo o primeiro. O diapasão é um aparelho usado para auxiliar na afinação. Ele produz o som da corda La, e a partir dela, todas as outras cordas podem ser afinadas Outra maneira seria afinar pelo teclado. Quem tiver um teclado em casa, vai tocando a tecla referente a cada corda do violão e quando você sentir que ela está no mesmo tom, ótimo, você está no caminho certo. Vale lembrar que as cordas do violão e da guitarra são afinadas desta forma, da primeira à sexta (da mais aguda e fina para a mais grave e grossa):E (Mi), B (Si), G (Sol), D (Ré), A (Lá)Ee E (Mi).)Outra técnica muito popular de afinação consiste em usar os intervalos de 12 semitons - as oitavas - para comparar as mesmas notas tocadas em diferentes cordas e em diferentes registros. Tendo afinado a primeira corda pelo diapasão, a segunda corda solta poderá ser afinada uma oitava abaixo da nota do 7.º traste da 1.ª corda. E mais alto e o mais grave é de duas oitavas
Outra maneira para afinar afinar uma guitarra ou um violão (estes instrumentos podem serafinados da mesma maneira), é começar colocando o nosso dedo na 5º casa (produzindo o som da nota La) e assim afinar a corda La, de maneira que o som das duas cordas, tocadas simultaneamente, seja bem parecido. O mesmo procedimento é seguido quando vamos afinar a corda Re, ou seja, devemos colocar nosso dedo na 5º casa, 5º corda(La) e assim produzirmos o som da nota Re. Dessa forma, devemos apertar ou afrouxar a 4º corda (Re), de maneira que esta fique com um som parecido com o da corda usada como auxilio.

Há também a afinação por um tom de referência ou seja:

1- Toque a nota E(Mi) e toque a primeira corda (a mais aguda e fina). Vira a cravelha da 1.ª corda até as notas soarem iguais.
2- Fira a 2ª corda na altura do 5.º traste, seguido pelo E (Mi)da 1.ª corda solta, que você já afinou. Ajuste a cravelha da 2.ª corda até ela ficar afinada com a 1.ª corda.

3- Agora fira a 3.ª corda no 4.ª traste, seguida pela 2.ª corda solta, a nota B (Si). Ajuste a cravelha que regula a 3.ª corda até ela ficar afinada com a anterior.
4- Fira o 5.ª traste da 4.ª corda e a seguir faça soar a nota G (Sol) na 3.ª solta. Ajuste a cravelha da 4.ª corda até ela soar afinada com a 3.ª corda.

5- Faça soar o 5.ª traste da 5.ª corda, tocando em seguida a nota D (Ré) na 4.ª corda até que o som obrido entre em uníssono com a anterior.
6- Fira a 6.ª corda na altura do 5.ª traste, seguida da nota A (Lá) percutida sobre a 5.ª corda solta. Gire a cravelha daquela até obter uma afinação perfeita com a desta.

Existem muitos outros tipos de afinação diferentes, ou alternativas, que permitirão criar grandes efeitos. Algumas delas vêm dos primeiros instrumentos acústicos; outras nasceram entre os músicos de blues do delta do Mississípi, que criaram técnicas e afinações para a slide guitar, assim como os músicos de guitarra havaiana. As afinações alternativas podem ser usadas tanto em violões ou guitarras acústicas como em guitarras elétricas, e nos estilos de toque com os dedos ou com palheta e slide. Inicialmente, as pessoas que estão aprendendo a afinar o seu instrumento, sentem um pouco de dificuldade e não conseguem diferenciar os sons, mas com um pouco de paciência e treino, podemos ver que a afinação não é uma tarefa possível de ser realizada por um principiante. Devemos lembrar que quando afinarmos o violão ou a guitarra, sempre colocaremos o dedo na 5º casa, exceto na 3º corda, onde colocaremos o dedo na 4º casa. A afinação do instrumento é muito importante para uma boa execução de qualquer música, principalmente quando for tirar uma canção para tocar depois.

*OUTRAS DICAS PARA AFINAR SEU INSTRUMENTO

Para afinar mais facilmente e corretamente o instrumento siga os seguintes passos:

a) Caso você possua micro-afinação (guitarras com ponte flutuante tipo floyd rose ou similares) coloque a micro afinação de cada corda na posição intermediária e solte as travas de afinação do braço.

b) Estando o instrumento totalmente desafinado, ao afinar uma corda, as outras normalmente desafinam, em virtude do aumento de tensão da primeira. Sendo assim inicialmente afine grosseiramente todas as cordas.

c) Se o encordoamento tiver sido recém colocado estique cada corda puxando com os dedos (não muito pouco que não surta efeito e nem tanto que quebre a
corda) a fim de eliminar as folgas iniciais nas tarrachas. Não fazendo isto a afinação irá se perder rapidamente (até que afinando diversas vezes as cordas tenham se ajustado).

d) Faça a afinação cuidadosa em todas as cordas tantas vezes quantas necessárias até que todas estejam perfeitamente afinadas (normalmente uma ou duas vezes são necessárias).

Acordes menores com sétima

Video






Notações

Notações usadas em tablaturas

Além dos números que apenas indicam qual corda deve ser ferida em qual casa (traste) existem algumas letras e simbolos comumente usadas para notar determinadas técnicas. Essas notações podem variar um pouco de autor para autor mas as mais comuns são:




h - fazer um hammer-on
p - fazer um pull-off
b - fazer um bend para cima
r - soltar o bend
/ - slide para cima (pode ser usado s)
\ - slide para baixo (pode ser usado s)
~ - vibrato (pode ser usado v)
t - tap
x - tocar a nota abafada (som percusivo)

Notação de Hammer-Ons

Um hammer-on consiste em martelar com um dedo da mão esquerda uma corda em um traste fazendo soar a nota sem o auxílio da mão direita.

E-----------------------------------------------------
B-----------------------------------------------------
G-----------------------------------------------------
D-----------------------------------------------------
A---------5h7-----------5h7---------------------------
E---0--0----------0--0--------------------------------

No exemplo acima após ferir a corda grossa solta duas vezes o músico deverá ferir a segunda corda na quinta casa e imediata e vigorosamente apertar a mesma corda (segunda) duas casas a frente (sétimo traste), fazendo a corda soar apenas com a martelada e sem auxílio da mão direita. Depois repita a sequência.

Notação de Pull-Offs

Pull-Offs são de certa forma o inverso de um hammer-on e consistem em soltar rapidamente uma corda fazendo com que a mesma soe solta (ou apertada em um traste anterior).

E----3p0-----------------------------------------------
B---------3p0------------------------------------------
G--------------2p0-------------------------------------
D-------------------2----------------------------------
A------------------------------------------------------
E------------------------------------------------------

No exemplo acima o primeiro pull-off na corda mais fina consiste em ferir a corda apertada no terceiro traste e soltá-la rapidamene para que soe solta. Posteriormente um pull-off identico é feito uma corda acima e assim por diante. Note que o terceiro pull off é feito a partir do segundo traste.

Hammer-ons e pull-offs costumam ser usados em conjunto como indicado abaixo:

E------------------------------------------------------
B------------------------------------------------------
G---2h4p2h4p2h4p2h4p2h4p2------------------------------
D------------------------------------------------------
A------------------------------------------------------
E------------------------------------------------------

Neste caso a corda deve ser ferida na segunda casa, imediatamente apertada na quarta casa (hammer-on), imediatamente solta da quarta casa (soando novamente na segunda, pull-off), novamente apertada na quarta e assim por diante. Note que a mão direita do música só irá ferir a primeira nota... todas as outras são tocadas apenas com os hammers-ons e pull-offs da mão esquerda no braço.

Notação de bends

Um bend consiste em empurrar uma corda para cima aumentando a tensão e consequentemente gerando uma nota mais aguda. Quanto mais empurrada for a corda maior será o efeito. Um número é usado para indicar o quanto a nota deve ser aumentada.

E------------------------------------------------------
B------7b9---------------------------------------------
G------------------------------------------------------
D------------------------------------------------------
A------------------------------------------------------
E------------------------------------------------------

No exemplo acima a corda (re) deve ser tocada no sétimo traste e empurrada para cima até que soe mais aguda como se estivesse apertada no nono traste (um tom acima). Note que o dedo do musico continuara na sétima casa. O bend pode também ser indicado entre parênteses como 7b(9).

E------------------------------------------------------
B------7b9--9r7----------------------------------------
G------------------------------------------------------
D------------------------------------------------------
A------------------------------------------------------
E------------------------------------------------------

No exemplo acima é indicado depois do bend inicial que ele deve ser soltado. O músico deve ferir a corda na sétima casa, fazer um bend de um tom inteiro (equivalente a subir duas casas), ferir novamente a corda e soltar o bend (de forma que a corda volte a sua posição e nota originais).

Outros exemplos: bends podem ser de meio tom (7r8, equivalente a uma casa), de um quarto de tom (7r7.5, equivalente a meia casa) e assim por diante. É comum não ser indicado o valor (7b por exemplo) e nestes casos é preciso ouvir a música para saber o valor do bend.


Notação de Slides

Um slide consiste em fazer deslizar um dedo da mão esquerda pelo braço enquanto uma corda soa gerando uma variação do tom.

E------------------------------------------------------
B------7/9---------------------------------------------
G------------------------------------------------------
D------------------------------------------------------
A------------------------------------------------------
E------------------------------------------------------

O exemplo acima indica que a corda deve ser ferida na sétima casa e imediatamente o dedo que aperta a corda nesta casa deve deslizar para a nona casa enquanto a nota continua soando (aumentando portanto um tom).

Não necessariamente o início e o fim de um slide precisam ser indicados:

E------------------------------------------------------
B------/7--7\------------------------------------------
G------------------------------------------------------
D------------------------------------------------------
A------------------------------------------------------
E------------------------------------------------------

Neste caso a nota deve inicialmente ser ferida em alguma das primeiras casas e deslizada até a sétima casa, posteriormente sendo deslizada de volta para as primeiras casas. Novamente é necessário conhecer a música que se deseja tocar de forma a saber o tamanho do slide.

Vários slides podem ser usados seguidos como indicado abaixo. Apenas a primeira nota precisa ser ferida.

E-------------------------------------------------------
B------7/9/11\9\7\6\7-----------------------------------
G-------------------------------------------------------
D-------------------------------------------------------
A-------------------------------------------------------
E-------------------------------------------------------

Notação de Vibrato

O vibrato é o efeito de variação de tom conseguido com a alavanca ou mesmo através de pressão variável do dedo sobre a corda no braço do instrumento (vide músicos de blues).

E------------------------------------------------------
B------------------------------------------------------
G------------------------------------------------------
D-------2--5~------------------------------------------
A----3-------------------------------------------------
E------------------------------------------------------

Neste caso a última nota deve sofrer vibrato. É necessário conhecer a música em questão para saber como este vibrato deve ser efetuado.

Notação de Tap

Tap ou tapping consiste em fazer soar notas feridas com a mão direita apertando as cordas nos trastes. É técnica geralmente usada por guitarristas rápidos como Eddie Van Hallen entre outros. A indicação de que uma nota deve ser tocada como tap consiste apenas em acrescentar a letra t à nota correspondente. Geralmente são efetuadas na parte mais interna do braço do instrumento.

E------------------------------------------------------
B----13t-----------------------------------------------
G---------12t------------------------------------------
D--------------12t-------------------------------------
A------------------------------------------------------
E------------------------------------------------------

No exemplo acima as notas devem ser feridas pela mão direita do músico simplesmente apertando as cordas vigorosamente nos trastes indicados.

Outras notações

Notações extras necessárias em determinadas músicas e/ou técnicas são comuns mas não padronizadas, sendo geralmente explicadas na própria tablatura em texto anexo. Variações das notações acima também são bastante comuns.